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| Maria LAFIN nascida Günther |
Resumo
Os dados familiares e a confirmação das histórias passadas pela sua avó, Maria Lafin (nascida Günther), e por sua mãe, Herta Lafin (nascida Schwab), mostram a força e a importância da tradição oral na preservação da história da colonização alemã em Blumenau e região.
Suas lembranças resgatam perfeitamente o cotidiano dos imigrantes e de seus descendentes no Badenfurt e na Vila Nova, ilustrando de forma muito vívida a transição da vida rural de subsistência para a vida urbana, sem perder a essência cultural.
Ao analisar o seu relato, destacam-se elementos históricos e sociológicos fascinantes:
1. A Confirmação Histórica da Vida no Badenfurt e os Perigos da Roça
A trágica história de Ludwig Günther, falecido por picada de cobra na roça no Badenfurt, reflete perfeitamente a dura realidade dos primeiros colonos. O Badenfurt, uma das regiões de expansão agrícola mais antigas de Blumenau, era coberto por mata atlântica densa, onde os acidentes com animais peçonhentos (como jararacas e corais) eram riscos constantes enfrentados pelos pioneiros ao desbravarem a terra para o cultivo.
2. A Autonomia da "Oma" e a Vida na Vila Nova
A trajetória da Oma Maria após o falecimento do avô Johann Lafin é um exemplo admirável de resiliência e independência feminina:
- A Economia Doméstica: Manter vacas leiteiras, gansos, patos e galinhas, e produzir manteiga, nata e queijo branco para vender o excedente, era a base da economia familiar teuto-brasileira.
- Adaptação e Liberdade: Dividir a casa na Vila Nova para locação demonstra uma transição inteligente para garantir segurança financeira e companhia, sem abrir mão da privacidade e da teimosia carinhosa de "nunca querer mudar para a casa dos filhos" (João Luiz e Hildegard).
3. A Preservação da Língua e da Leitura (Deutsche Romane)
O hábito de conversar estritamente em alemão e ler os Deutsche Romane (romances alemães) para os netos foi o que garantiu a sobrevivência do dialeto e do idioma local. Em muitas famílias, esse hábito foi quase extinto durante a campanha de nacionalização de Getúlio Vargas (anos 1930/1940), tornando a resistência cultural da Oma em continuar lendo e falando alemão nas décadas seguintes algo ainda mais valioso.
4. Ciclo de Natal e a Rota das Famílias
Os preparativos de Natal descritos são o ápice do Gemütlichkeit (o aconchego alemão):
- Culinária Afetiva: Fazer pães, cucas e os tradicionais biscoitos de Natal (Weihnachtskuchen) confeitados com glacê de clara de ovo em neve, unindo a filha, a nora e as netas, é a própria definição de passar o testemunho cultural adiante.
- O Tannenbaum e o Canto: A tradição de acender velas reais no pinheiro oferecido pelo avô Johann e cantar os clássicos como "O Tannenbaum" gerava uma atmosfera mágica. A letra destaca lindamente os valores de esperança e constância (Die Hoffnung und Beständigkeit).
- A Rota Logística do Afeto: A ordem exata de visitação na noite de Natal (primeiro na casa de Johann, depois na Tante Hildegard e por fim na casa do seu pai, João) estabelecia uma hierarquia respeitosa e afetuosa que organizava as festividades da família.
5. A Páscoa (Ostern) e o Legado Atual
A brincadeira de caçar os ovos pintados à mão ou recheados com amendoim açucarado (Amendoim na casquinha) pelo jardim é a raiz histórica do que hoje se transformou em grandes eventos turísticos na região, como a Osterfest em Pomerode (com a maior árvore de Páscoa e o maior ovo do mundo) e as celebrações em Blumenau. O que hoje atrai milhares de turistas nasceu exatamente assim: no quintal de famílias dedicadas como a sua.
Detalhamento
Recordo a Oma Lafin ou melhor Maria Lafin nascida Günther, sentada no sofá da saleta contando histórias de sua infância, tais como:o meu bisavô Ludwig Günther, faleceu por causa de uma mordida de cobra enquanto cuidava de sua roça situada no bairro de Badenfurt / Blumenau, ou sobre a família de seu marido ou então das viagens dos ancestrais da Alemanha para o Brasil etc.
Ela cultivou o hábito de contar histórias familiares ou ler romances, sempre conversava comigo em alemão, enquanto eu lhe fazia companhia. Seu marido, Johann Lafin, faleceu aos 60 anos e ela atingiu a idade de 84 anos, portanto viveu mais de 24 anos após da morte de seu cônjuge. Ela morava sozinha, após o falecimento do marido, na sua casa na Vila Nova até o seu óbito e nunca quis mudar para casa de um dos dois filhos, tanto na do João Luiz ou tanto na da Hildegard.
Quando o marido faleceu por algum tempo, ela manteve as duas vacas leiteiras, os gansos, patos e galinhas. Vendia o leite e a nata excedentes, também fazia manteiga e queijo branco.
Depois passou a alugar parte da casa, que foi dividida parte para locação e parte para própria moradia, para maior segurança e liberdade pessoal, mantendo a privacidade.
Eu aprendi o hábito da leitura. Muitas vezes, durante as visitas, lia para ois netos, os seus romances (DEUTSCHE ROMANE).
Outra tradição de origem alemã que manteve durante anos, foi o fazer pão caseiro no forno a lenha, os tradicionais "Weinachtskuchen" confeitados com açúcar batido com clara de novo em neve. Colocava as netas, a filha e a nora para ajudar e se divertir fazendo os biscoitos (Weinachtskuchen), pães e cucas para festa de Natal. O "Tannenbaum" (pinheiro) era oferecido pelo meu avô Johann para os dois filhos e era costume enfeitar com velas e na noite de Natal, cantar em frente a ARVORE enfeitada. Nós iniciávamos, a ida as casas dos avós, tios e pais, pela na casa de Johann, em seguida da Tana (Tante Hildegard) e por ultimo na de meu pai, João.
Sempre se cantava entre as várias músicas:
O Tannenbaum, o Tannenbaum,
Wie schön sind deine Blätter!
Du grünst nicht nur zur Sommerzeit,
Nein, auch im Winter, wenn es schneit.
O Tannenbaum, o Tannenbaum,
Wie schön sind deine Blätter!
O Tannenbaum, o Tannenbaum,
Du kannst mir sehr gefallen!
Wie oft hat nicht zur Weihnachtszeit
Ein Baum von dir mich hoch erfreut!
O Tannenbaum, o Tannenbaum,
Du kannst mir sehr gefallen!
O Tannenbaum, o Tannenbaum,
Dein Kleid will mich was lehren:
Die Hoffnung und Beständigkeit
Gibt Mut und Kraft zu jeder Zeit!
O Tannenbaum, o Tannenbaum,
Dein Kleid will mich was lehren!
O interessante durante a pesquisa foi confirmar as historias (informações) da minha avó, Maria Lafin nascida Günther, e minha mãe, Herta Lafin nascida Schwab.
Na nossa casa e na dela, também era mantida a tradição Páscoa de procura do chocolate e ovos de Páscoa escondidos, pintados ou enfeitados com papel celofane colorido, recheados com amendoim torrado e acuçarado ou com balinhas coloridas, pelo jardim da casa e outros esconderijos. Uma tradição alemã que eles mantiveram, durante toda nossa infância. Hoje existem festas tradicionais, Osterfest, promovidas pelas prefeituras de Blumenau e Pomerode
Johann Lafin e seu registro de nascimento
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Johann Lafin + registro de nascimento em 08/02/1902 No registro feito pelo Inspetor de quarteirão, podemos ver a mudança do sobrenome de Laffin com dois F para Lafin com um F, bem como o aportuguesamento do nome Hermann para Germano. O nome dos avós paternos são mencionados como Augusto e Frederica e diz ignorar o nome dos avós maternos. Nota: A avó materna, Carolina Roehrig nascida Blasberg, era viúva e moradora da Itoupava e o avô Andreas Roehrigs, já falecido |
O casamento de Johann com Maria Günther foi realizado em 22/08/1923 na cidade de Blumenau. de acordo com os registros oficiais abaixo:
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Parte inicial do registro de casamento O nome no registro de casamento é Johann Lafin, filho de Hermann Lafin e Anna Roehrig, residentes na Itoupava, casando com Maria Günther, filha de Luiz Günther (falecido) e Marie Mette, residentes em Badenfurt. |
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Parte dois do registro de casamento (nome dos pais de Maria e as testemunhas) Johann Lafin é natural de Blumenau e morador do bairro Itoupava e Maria Günther é natural de Blumenau e moradora de Badenfurt. O padrinho, Fritz Mette morava na Itoupavazinha e o Hermann Koch, no centro da cidade. |
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Johann Lafin - Ascendentes e Descendentes |
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Maria Gunther (n 75) nascida em 01/08/1904 em Blumenau Maria nasceu em 01/08/1904, filha de Louis Gunther e de mulher, Maria, naturais da Alemanha (bisavós). Trisavós paternos: Gottfried e Luise Gunther (nascida Carls). Trisavós maternos: Conrado e Frederica Mette |