Nota aos familiares: Os registros civis e a árvore genealógica estão documentados e salvos no FamilySearch.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Patriarca Enke, C.G.Enke - Navio Roska em 1861



NAVIO VELEIRO ANTIGO

O patriarca Gottlob Christian Enke (registrado como C.G.Enke) viajou da Alemanha para o Brasil a bordo do navio VELEIRO  dinamarquês Roska, que partiu do porto de Hamburgo em 25 de junho de 1861 e chegou ao destino em agosto do mesmo ano.
Abaixo, apresentamos uma síntese organizada dos fatos extraídos das transcrições dos ofícios da Província de Santa Catarina:
🚢 A Viagem de Gottlob Christian Enke (1861)
  • Navio e Capitão: Navio dinamarquês Roska, comandado pelo Capitão Nissen.
  • Data de Partida: 25 de junho de 1861, partindo do porto de Hamburgo, Alemanha.
  • Rota da Embarcação: Destino final na Villa do Santíssimo Sacramento (atual cidade de Itajaí/Itajahy Grande), com escala programada pelo porto de São Francisco (atual São Francisco do Sul).
  • Contingente de Imigrantes: O navio transportava 138 colonos no total, sendo 94 destinados à Colônia Blumenau e 44 destinados à Colônia Dona Francisca (atual Joinville).
📄 Dados Individuais do Imigrante (na Lista de Colonos)
  • Nome em registro: C.G.Enke
  • Idade na viagem: 58 anos
  • Profissão: Agricultor ("dito", fazendo referência à ocupação anterior na lista)
  • Religião: Protestante
  • Origem: Weimar, Estado da Turíngia
  • Situação Financeira de Viagem: O registro aponta que o campo de adiantamento de subsídios estava em branco, indicando que ele não recebeu adiantamentos ou subsídios do Governo Imperial para o pagamento de sua passagem, ao contrário de outras famílias da mesma expedição.
📜 Contexto Administrativo da Época
Os três ofícios (datados de 9 e 14 de agosto de 1861) foram emitidos no Rio de Janeiro por Manoel Felizardo de Souza e Mello (Ministro dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas) e direcionados ao Presidente da Província de Santa Catarina. Eles revelam o trâmite burocrático do Império:
  • Proteção governamental: O Ministério recomendava explicitamente que o governo provincial prestasse aos colonos "toda a protecção e mais favores do costume".
  • Encaminhamento de contratos: Os contratos celebrados no Consulado do Brasil em Hamburgo e as listas nominais foram enviados para a Secretaria da Presidência da Província e, posteriormente, copiados e despachados para o Diretor da Colônia Blumenau para execução e assentamento dos imigrantes.

Transcrição de partes constantes em ofícios da Província do Estado de Santa Catarina relativas a viagem da Alemanha para o Brasil, de Gottlob Christian Enke, abreviado nos documentos como C.G.Enke,  natural da cidade de Weimar do Estado da Turíngia. 

A filha, Wilhelmine, a esposa, Christiane Friederike n. Picker,  e o filho, Gottlob, vieram para o Brasil antes do pai.  A filha, Wilhelmine, veio em 1855 com Friedrich Hadlich. A mãe e o filho Gottlob em 1860  e o pai veio de 1861.

"[fl.n.111] [83] 1861 Agosto 9. Ofício de Manoel Felizardo de Souza e Mello ao Presidente da Província do Estado de Santa Catarina, informando sobre a vinda de 138 imigrantes para a província, sendo 94 para a Colônia Blumenau e 44 para a de Dona Francisca.
Rio de Janeiro. Doc.83, fl.n.111. Nº 58. Directoria das Terras Publicas e Colonisação. Secção. Rio de Janeiro. Ministerio dos Negocios da Agricultura, Commercio e Obras Publicas em 9 de Agosto de 1861.
Illustríssimo e Excelentíssimo Senhor.
    Havendo o Consul Geral do Brazil em Hamburgo participado ter partido d’aquelle porto a 25 de Junho proximo passado o navio Dinamarquez = Roska = com destino ao Itajahy Grande, com escala pelo porto de São Francisco, condusindo 138 colonos, dos quaes 94 vão para a Colonia Blumenau, e 44 para a de Dona Francisca, recomendo a Vossa Excelência que preste áquelles colonos toda a protecção e mais favores do costume, conforme declarei a Vossa Excelência em Avizo de 7 de Junho proximo findo sob nº 26, por occasiao de outra expedição.
    Deus Guarde a Vossa Excelência.
    Manoel Felizardo de Souza e Mello.
    Senhor Presidente da Provincia de Santa Catharina."

"[fl.n.114]  [86] 1861 Agosto 14. Ofício de Manoel Felizardo de Souza e Mello ao Presidente da Província do Estado de Santa Catarina, solicitando que preste aos 138 colonos vindos para esta Província, toda a proteção e mais favores de costume. Rio de Janeiro.
    Doc.86, fl.n.114. 
    Nº 60. Directoria das Terras Publicas e Colonisação. 2ª Secção. Rio de Janeiro. Ministerio dos Negocios da Agricultura, Commercio e Obras Publicas em 14 de Agosto de 1861.
    Illustríssimo e Excelentíssimo Senhor.

          Havendo o Consul Geral do Brasil em Hamburgo participado por officio de 28 de Junho ultimo, ter partido a 25 do mesmo mez d’aquelle porto o navio “Roska” capitão Nissen com noventa e quatro colonos para a Colonia Blumenau e quarenta e quatro para a de Dona Francisca, com destino à Villa do Santissimo Sacramento no Itajahy Grande, e com escala pelo porto de São Francisco, assim o communico a Vossa Excelência, recommendando-lhe que preste a aquelles colonos toda a protecção e mais favores do costume.

    Deus Guarde a Vossa Excelência.

    Manoel Felizardo de Souza e Mello. 

    Senhor Prezidente da Provincia de Santa Catharina.

Escrito com outro punho: (Parece-me que já veio outro aviso com a mesma  communicação: é preciso verificar)"

 

"[fl.n.115] [87] 1861 Agosto 14. Ofício de Manoel Felizardo de Souza e Mello ao Presidente da Província do Estado de Santa Catarina, solicitando que este transmita ao Diretor da Colônia Blumenau os contratos e as relações nominais para seu conhecimento.

ANEXO: Lista dos colonos. 

    Rio de Janeiro. Doc.87, fl.n.115-118v.   

    Nº 61. Directoria das Terras Publicas e Colonisação. Secção. Rio de Janeiro. Ministerio dos Negocios da Agricultura, Commercio e Obras Publicas em 14 de Agosto de 1861.

    llustríssimo e Excelentíssimo Senhor.

    Em additamento ao meo Aviso d’esta data remetto inclusas a Vossa Excelência duas listas dos colonos que partirão da Europa para essa Provincia com destino à Colonia Blumenau, constando uma dos nomes dos 94 colonos, aque se refere aquelle Aviso, e outra das familias d’aquelle numero, que receberão adiantamentos ou subsidios, e que Vossa Excelência fará estabelecer de conformidade com os contractos celebrados por elles no Consulado Geral do Brasil em Hamburgo, que Vossa Excelência encontrará inclusos, convindo que depois de tomadas as convenientes notas na Secretaria d’essa Presidencia, Vossa Excelência transmmitta os contractos, e as relações por copia ao Director da Colonia Blumenau para seo conhecimento e execução.

  

 Deos Guarde a Vossa Excelência.

    Manoel Felizardo de Souza e Mello.

    Senhor Prezidente da Provincia de Santa Catharina.

[fl.n.115] À margem superior: Escrito com outro punho: Cumpra-se

[fl.n.116] Copia ,, Conta demonstrativa da expedição dos Colonos partidos em 25 de Junho á bordo do navio “Roska” Capitão Nissen, com destino para a Colonia = Blumenau = com subsidios para as passagens por conta do Governo Imperial segundo as obrigações de que junto dois exemplares."

"[fls.66] nº 82 C.G.Enke proveniente de Weimar  58 anos dito(agricultor) protestante. (está em branco e não consta adiantamento de subsidios)"


Fonte: Transcrição paleográfica 

[OFÍCIOS DO MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS DA AGRICULTURA, COMÉRCIO E OBRAS PÚBLICAS PARA O PRESIDENTE DA PROVÍNCIA DE SANTA CATARINA DE 1861 1862.]

sábado, 23 de novembro de 2024

Família Viebranz -Navio C.F. Funch - Passagem

Os registros históricos e genealógicos confirmam que a família de Friedrich Viebranz e sua parente Friederike Lafin nascida Viebrantz emigrou da região de Groß Dewsberg (Pomerânia, na época pertencente à Prússia/Alemanha) com destino à Colônia Blumenau, em Santa Catarina.
Eles viajaram a bordo do navio a vapor C. F. Funch, que partiu de Antuérpia (Bélgica) e desembarcou no porto do Rio de Janeiro em 30 de abril de 1876. 

 Resumo do Registro de Embarque (1876)
  • Chefe da Família: Friedrich Viebranz (registrado com cerca de 40 anos, lavrador)
  • Esposa: Wilhelmine Viebranz
  • Origem: Groß Dewsberg, Pomerânia
  • Destino: Colônia Blumenau / Região de Rio Cedros e Pomerode (SC)
  • Identificação no Arquivo Nacional: C.F. Funch (Cód. de referência: BR_RJANRIO_OL_0_RPV_PRJ_00045)

 Idade dos Filhos a Bordo
PassageiroIdade RegistradaNotas Históricas Posteriores em SC
Auguste20 anosNascida por volta de 1856.
Wilhelm17 anosNascido por volta de 1859.
Carl14 anosNascido em Quisbernow (Pomerânia). Casou-se em Pomerode (1883) com Wilhelmine Dahlke.
Fredrich9 anosNascido por volta de 1867.
Albert7 anosNascido em 15/02/1868 em Groß Dewsberg.
Theodor4 anosNascido por volta de 1872.
 Curiosidade de Viagem
No mesmo navio viajou a família de August Laffin e Friederike Laffin (nascida Viebranz), também vindos de Groß Dewsberg. Devido ao sobrenome, origem comum e proximidade na viagem, registros apontam que Friederike e Friedrich possuíam forte vínculo de parentesco (provavelmente irmãos)

Friedrich Viebranz - Nascimento
Perto de 1836
Gross Dewsberg, Alemanha
Casamento com:
Wilhelmine Röpke (Viebrantz)
1856
Idade ~20
Nascimento da filha:  Auguste Viebrantz -Perto de 1856 - Alemanha
1857
Idade ~21
Nascimento do filho: Heinrich Wihelm Julius Viebrantz -  24 de out de 1857 - Lutzig, Alemanha
1859
Idade ~23
Nascimento do filho: Friedrich Wilhelm Viebrantz
Perto de 1859 - Groß Dewsberg, Belgard, Pommern, Preußen, Alemanha
1860
Idade ~24
Nascimento do filho: Carl Viebrantz
14 de out de 1860 - Quisbornow, Pomerânea, Alemanha
1867
Idade ~31
Nascimento do filho: Friedrich Viebrantz
Perto de 1867 - Alemanha
1870
Idade ~34
Nascimento do filho:
Albert Viebrantz
27 de fev de 1870
Nascimento 15/02/1868 Groß Dewsberg, Belgard, Pommern, Preußen, Alemanha
1872
Idade ~36
Nascimento do filho:
Theodor Viebrantz - Perto de 1872
Alemanha
1876
Idade About 39-40
Imigração - Chegada no Brasil, RJ, pelo Vapor C.F. Funch - 30 de abr de 1876 - RJ, Brasil







Friedericke Laffin nascida Viebranz, esposa de August Laffin, veio com sua família no mesmo navio que Friedrich Viebranz e família. 
Na pesquisa no Arquivo Nacional (fonte: BR_RJANRIO_OL_0_RPV_PRJ_00045) relativa ao navio C.F.Funch encontramos o recibo de Friedrich Viebranz da viagem da Antuérpia para o Brasil.



Transcrição: Certifico pela presente, passada em quatro exemplares, valendo só um deles ser recebido pelo Srs Lobedan & Co. em Antwerpia por conta do Governo Imperial do Brasil, a passagem integral a Colônia Blumenau a bordo do vapor C.F.Funch importando para mim e minha família Thalers de Prússia quatro centos e cincoenta e cinco inclusive a diferença de passagem de cincoenta Thalers por adulto.

Antwerpen, den 1 April 1876

Thlr. 455  - Viebranz

(.....) Friedrich Viebranz (.....)

Nota: A moeda Thaler era usada antes da criação do Império Alemão em 1871. As moedas de Táler foram válidas até 1907 como meio de pagamento estabelecido em lei e correspondente a 3 marcos (moeda do Império Alemão) Fonte: Thaler da Prússia

Passageiros do C. F. Funch Friedrich Viebranz e esposa Wilhelmine e
os 6 filhos: Albert(7), Auguste(20), Carl(14), Fredrich(9), Theodor(4)  e Wilhelm(17)





sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Familia Laffin - Navio C.F.Funch - Passagem

Esse recibo é uma relíquia valiosa para entender a trajetória da família Laffin e a própria história da imigração alemã para a Colônia Blumenau.
Com base no documento e no contexto histórico, podemos extrair algumas informações:
  • O Custo da Viagem: O valor de 385 Thalers de Prússia era uma quantia considerável para a época. O documento menciona uma "diferença de passagem de 50 Thalers por adulto", o que indica que o Governo Imperial do Brasil subsidiava parte dos custos para atrair imigrantes, mas a família ainda precisava arcar com taxas ou melhorias na classe da acomodação.
  • A Rota e a Logística: A partida ocorreu em 1º de abril de 1876 a partir do porto de Antuérpia (Antwerpen), na Bélgica, que era um dos principais portos de saída de emigrantes europeus rumo às Américas no século XIX. A menção aos agentes "Lobedan & Co." mostra a rede logística que o governo brasileiro utilizava na Europa para organizar o transporte de colonos.
  • A Estrutura Familiar: August e Friedericke demonstraram muita coragem. Viajar de navio a vapor naquela época cruzando o Atlântico com seis filhos pequenos (com idades entre 1 e 12 anos) era um desafio físico e emocional gigantesco.

A viagem a bordo do vapor C.F. Funch, que partiu de Antuérpia em 1º de abril de 1876 e ancorou no Rio de Janeiro em 30 de abril de 1876, representou um momento de transição tecnológica. Embora a introdução dos navios a vapor tenha reduzido drasticamente o tempo de travessia do Atlântico em comparação com os antigos veleiros, a realidade do cotidiano na chamada "terceira classe" (ou alojamento de imigrantes) continuava a impor severas privações físicas e emocionais.
Para a família de August Laffin, com seis filhos pequenos de 1 a 12 anos de idade, o confinamento de 30 dias exigiu resiliência diante das seguintes condições estruturais e cotidianas:
1. Vantagem Técnica: O Motor a Vapor
  • Velocidade: Diferente dos veleiros de meados do século XIX, cuja viagem costumava durar de duas a três semanas a mais, a propulsão a vapor garantiu uma travessia direta e mais previsível. 
  • Menor Dependência dos Ventos: Reduziu as chances do navio ficar semanas à deriva em calmarias equatoriais, minimizando o esgotamento precoce das provisões de água e comida. 
  • Presença de Mastros: O C.F. Funch ainda operava como um modelo híbrido, mantendo mastros e velas auxiliares tanto para economizar carvão quando o vento estava favorável quanto para estabilizar a embarcação em mar aberto.
2. Espaço Reduzido e Acomodações
  • A Terceira Classe: A família Laffin viajou no porão do navio, uma área adaptada para o transporte em massa. Dormia-se em beliches de madeira sobrepostos, dispostos em grandes salões coletivos onde o espaço individual limitava-se ao tamanho do colchão (frequentemente preenchido com palha).
  • Falta de Privacidade: Praticamente inexistente. Centenas de pessoas de diferentes origens compartilhavam o mesmo perímetro para dormir, trocar de roupa e cuidar dos filhos. 
  • Iluminação e Ventilação: As escotilhas permaneciam fechadas em dias de tempestade. Nesses períodos, o ar tornava-se abafado e impregnado pelo cheiro de umidade, carvão e óleo das máquinas, agravando os quadros de enjoo marítimo.
3. Alimentação Racionada
  • Cardápio Base: A dieta a bordo era focada em alimentos não perecíveis que resistissem à longa exposição. Consistia basicamente em biscoitos duros de marinheiro (zwieback), carne salgada (charque ou porco), batatas, feijão, arroz e sopas grossas de leguminosas.
  • Preparação: A comida era feita em grandes caldeirões pela tripulação e distribuída em rações. A monotonia alimentar e a falta de nutrientes frescos (como frutas e verduras) eram uma constante.
  • Água Potável: Fortemente racionada e armazenada em tanques de ferro ou barris. Com o passar dos dias no calor do Atlântico, a água adquiria um gosto desagradável, sendo utilizada quase que exclusivamente para cozinhar e beber, o que restringia drasticamente a higiene pessoal.
4. Desafios de Saúde e Cuidados Com as Crianças
  • Enfermidades Comuns: O balanço constante do navio provocava enjoos contínuos nos primeiros dias. Devido à aglomeração, gripes, problemas gastrointestinais e infecções de pele espalhavam-se rapidamente.
  • A Atenção aos Pequenos: Manter Bertha (3) e Gustav (1) limpos e saudáveis sob severo racionamento de água exigia um esforço monumental de Friederike e August. Os filhos mais velhos, como Carl (12) e Wilhelm (9), passavam a maior parte do tempo no convés superior para fugir do confinamento do porão.
5. Rotina e Convivência no Convés
  • O Refúgio do Convés: Quando o mar estava calmo, os passageiros recebiam permissão para subir ao convés aberto. Ali podiam respirar ar puro, secar roupas e se distrair olhando o oceano.
  • Interação Social: Os momentos no convés propiciavam trocas culturais, cantorias e cultos religiosos entre os imigrantes. Contudo, as barreiras linguísticas e o desgaste físico também podiam gerar pequenos atritos no confinamento.
O Desembarque e o Destino Final
Ao alcançar o Rio de Janeiro em 30 de abril, os passageiros passavam pelos trâmites burocráticos alfandegários e de saúde. Como o destino final documentado era a Colônia Blumenau, a jornada da família Laffin ainda não estava concluída: eles precisaram embarcar em um vapor de cabotagem menor rumo ao porto de Itajaí e, de lá, seguir subindo o rio ou abrindo picadas por terra até alcançarem seus respectivos lotes na colônia catarinense.

Na pesquisa no Arquivo Nacional (fonte: BR_RJANRIO_OL_0_RPV_PRJ_00045) relativa ao navio C.F. Funch encontramos o recibo de August Laffin relativa a viagem para o Brasil.


Recibo de August Laffin no C.F. Funch

Transcrição: Certifico pela presente, passada em quatro exemplares, valendo só um deles ser recebido pelo Srs Lobedan & Co. em Antuerpia por conta do Governo Imperial do Brasil, a passagem integral a Colônia Blumenau a bordo do vapor C.F.Funch importando para mim e minha família Thalers de Prússia trezentos e oitenta e cinco inclusive a diferença de passagem de cincoenta Thalers por adulto.

Antwerpen, den 1 April 1876

Thlr. 385  - Laffin (*assinatura)

..... August Laffin ...... 


Nota: Thalers era a moeda da Prússia, antes da criação do Império Alemão em 1871. As moedas de Táler foram válidas até 1907 como meio de pagamento conforme estabelecido em lei e correspondente a 3 marcos (moeda do Império Alemão) Fonte: Thaler da Prússia


Figura: Ficha do C.F. Funch com o patriarca August (38),  
e acompanhantes: esposa Friederike (35) e os 6 filhos: Bertha (3), Carl (12), Gustav (1), Hermann (7), Reinhard (5) e Wilhelm (9).


Navio a vapor C.F.Funch
O C.F. Funch foi um navio a vapor do século XIX muito conhecido na história da imigração no Brasil por ter transportado diversas famílias de imigrantes europeus (principalmente alemães e poloneses) para o país.
Abaixo estão os principais fatos históricos associados a esta embarcação:
Histórico e Características do Navio
  • Origem: O navio foi construído originalmente em 1871 sob o nome de Alps para a companhia Glasgow & South American SS Co..
  • Mudança de Nome: Em 1873, foi comprado pela empresa belga White Cross Line (Steinmann, Ludwig & Co.), recebendo o nome de C.F. Funch.
  • Capacidade: Tinha aproximadamente 1.501 toneladas. 
A Rota de Imigração para o Brasil
Uma das viagens mais marcantes do C.F. Funch para a história brasileira ocorreu no início de 1876.
  • O Trajeto: O navio partiu do porto de Antuérpia, na Bélgica, trazendo imigrantes financiados ou atraídos pelo Governo Imperial do Brasil.
  • Chegada: Ancorou no porto do Rio de Janeiro em 30 de abril de 1876.
  • Destino dos Passageiros: Grande parte das famílias que estavam a bordo tinha como destino final colônias no Sul do país, como a Colônia Blumenau (em Santa Catarina) e colônias na região de Curitiba (no Paraná). Os registros dessa viagem constam detalhadamente nos arquivos digitais do Arquivo Nacional do Brasil.
O Fim da Embarcação
Pouco tempo após realizar o transporte de imigrantes para o Brasil, o navio encontrou seu fim. Em 24 de agosto de 1876, enquanto navegava pela costa da Europa, a carga do navio pegou fogo. Para tentar salvar a tripulação e o que restava, o navio foi encalhado propositalmente próximo ao Castelo de Rammekens, em Vlissingen (Holanda), onde acabou se partindo em dois.


Relação de passageiros do C.F.Funch, em 1876, pagina 13, mostrando a Familia de Friedrich Viebranz (n. 72 até 79) (Gross Dewsberg)



Relação de passageiros do C.F.Funch, em 1876, página 14, mostrando a Familia de August Laffin (n. 117 até 124) (Gross Dewsberg)