segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Família Günther e Carls - Gottfried (Gottlob) Gunther e Luise n. Carls

1. Família Günther

1.1 Dados sobre a emigração


Figura 1 - Árvore de Gottfried Günther e Luise Carls

Maria Lafin nascida Günther nasceu em Blumenau/SC/BR é a  mãe de João Luiz.


1.2. Lista de emigrantes


Louis Günther nasceu em ReinstädtThuringia, Alemanha, veio com os pais, Gottfried e Louise Günther nascida Carls e as irmãs, Maria e Emmaa bordo do navio Lord Brougham em 03/06/1868.

Gottfried Günther nasceu em Gernrode, Saxony-AnhaltAlemanha, veio com a esposa Louise nascida Carls e os filhos Louis, Emma e Maria, a bordo do navio Lord Brougham em 03/06/1868. 


1.2.1 Lista da familia Günther no navio Lord Brougham


Navio LORD BROUGHAM 
Capitão: Jörgensen 
Saída de Hamburgo: 10/04/1868 
Chegada na Colônia: 03/06/1868 
Destino: Dona Francisca e Blumenau.

Figura 2 - pagina 125 da Lista de imigrantes de Joinville 
com o nome da Família Günther

 

Transcrição dos nomes dos Günther no navio da Lista de emigrantes:

GÜNTHER, Gottl.: 37 anos, lavrador, Gernrode, Anhalt, com:
a) Esposa : Louise (30), 
b) Filhos: Louis (9), Minna (7), Emma (4).

Comparando com dados da Igreja:

1) GÜNTHER, Gottl.: 37 anos, (1868 -37 = *1831).
2) Louise, 30 anos, (1868 - 30 = *1838).
3) Louis , 9 anos, (1868 - 9 = *1859).✔
4) Minna, 7 anos, (1868 - 7 = *1861) ✔
5) Emma, 4 anos, (1868 - 3 = *1865) ✔

Nota: Não confundir com as gêmeas, Minna (Koch) e Emma (Hemmer), filhas de Louis com Marie Mette, nascidas em 1894.

1.3. Moradores da colônia em 1869


Figura 3 - XI  Distrito do ribeirão da Itoupava, margem direita 
página 17 - Familia Günther item 62 com 5 pessoas

Moradores da Família de Frederico Günther na Colonia:

a) 2 Homens : Gottfried e Louis 
b) 3 Mulheres sendo: Luise, Minna e Emma

Nota: O nome de Gottfried foi aportuguesado para FREDERICO Günther.


1.4  Registros da Igreja Evangélica


De acordo com registros da igreja luterana temos:

1) GÜNTHER, Gottfried   
2) Luise n. CARLS

Filhos:
F. Louis Günther oo Marie METTE
F. Minna Günther oo Otto STARKE
F. Auguste Emma Günther oo Gustav SPONHOLZ




Famílias Evangélicas de confissão Lutherana da colônia Blumenau Período: 1856 – 1940

Figura 4 - p. 213, Família Gottfried (Gottlob) Gunther no
 "Pioneiros da Colonia Blumenau

Transcrição da Figura  4 sobre os Günther:

"GÜNTHER, Gottfried  oo Luise n. Carls 
Filhos:
F. Louis GÜNTHER * 30.03.1859 de Rheinstedt, Rheinland, Alemanha casou aos 18.12.1881 com Anna Friedericke Marie METTE (bisavó)* 27.11.1860 de Schöningen, Rheinland, filha de Friedrich Conrad Mette (trisavô) e Anna Magdalena Elisabeth n. MÜLLERTestemunhas: Gustav Muller e Laura Kistner.
Filhos:
N. Friedericke Maria Louise Günther * 31.05.1882  
N. Hermann Heinrich Conrad Günther * 06.04.1886 Ilse
F. Minna Günther * 08.03.1861 de Bernburg Anhalt, oo Otto STARKE 

Nota (pagina 676 do documento): Otto Starke * 11.01.1861 em Blumenau, colono em Itoupava, casou aos 29.10.1883 com Minna Günther * 08.03.1861 de Bernburg Anhalt, filha de Gottfried Günther e Louise n. Carl. Testemunhas: Ernst Schönfelder e Max Hertel. 

 Filhos: 

 F. Anna Friedericke Luise Starke * 18.01.1884 Itoupava 

 F. Otto Starke * 20.11.1884 em Itoupava, colono em Itoupava, casou aos 29.06.1910 com Erna Anna Wilhelmine JENICHEN * 15.05.1885 em Itoupava, filha de Fritz Jenichen, marceneiro em Itoupava, e Maria n. Müller. Testemunhas: Erwin Jenichen, Olga Jenichen, Ernst Starke e Else Beck. Ato civil na mesma data. 

 F. Emilie Starke * 20.02.1887 

F. Bruno Starke * 17.01.1892 em Itoupava, colono, casou aos 11.07.1917 com Alice Jenichen * 18.02.1894 em Itoupava, filha de Fritz Jenichen, marceneiro, e Marie n. Müller. Testemunhas: Edmund Jenichen, August Page, Adele Jenichen e Selma Mette. Ato civil na mesma data.  

F. Auguste Emma Günther *14.03.1864 de Bernburg Anhalt, oo Gustav SPONHOLZ

Nota: (página 670 documento) SPONHOLZ, Gustav * 12.12.1862 de Damen/Köslin, colono em Pommerstrasse, filho de Heinrich Sponholz e Wilhelmine n. Neitzel, casou aos 21.11.1882 com Auguste Emma Günther * 14.03.1864 de Bernburg Anhalt, filha de Gottfried Günther e Luise n. Carl. Testemunhas: August Schaper e Emma Schaper. 

 Filhos: 

 F. Louise Marie Emilie Sponholz * 21.03.1883 Pommerstrasse 

 F. Eduard Wilhelm August Sponholz * 30.12.1884 Pommerstrasse 33 

 F. Ludwig Carl Wilhelm Sponholz * 21.01.1887 Pommerstrasse 

F. Ernst Günther * 12.05.1871 em Itoupava, colono na Estrada Carolina, casou aos 08.06.1898 com Therese Marie Johanna SCHMIDT * 26.09.1875 de Blumenau, filha de Otto Schmidt, colono em Itoupavazinha, e Johanna n. Fischer. Testemunhas: Adolf Krutzsch, Carl Volles, Else Schaper e Ida Schmidt. Ato civil na mesma data."

Nota: De acordo com os registros da igreja, o casal, Gottfried e Louise teve um filho no Brasil, Ernst Günther.


1.5 Resultado de pesquisa nos registros civis e de igreja


1.5.1 Gottfried Günther e Louise Carls e seus filhos

Gottfried Günther faleceu no dia 15/01/1892, com 61 anos de idade, em Blumenau., como consta no registro civil de óbito. 
Louise Günther faleceu no dia 05/11/1913, com 75 anos de idade, na cidade de Blumenau.

Os seus filhos Louis, Bertha e Minna se casaram e faleceram no Brasil, não retornando a terra natal.


1.5.2 Filhos de Louis ou Ludwig Günther e Marie Mette

No site Billion Graves, aparecem os dados do casal, com Ludwig, e no da igreja como Louis e no registro civil como Luis.

Louis (Ludwig) e Marie são pais da minha avó paterna Maria Lafin nascida Günther. Maria casou-se com Johann Lafin.  João Luiz Lafin, nascido em 06/09/1924, é filho de Johann e de Maria Lafin nasc. Günther.


 
Figura - Filhos de Ludwig X Marie
 
Ludwig Günther
 (1859 - 1923), oo em 18/12/1881, com 
Marie Mette
 (1860 - 1948)


 Relação dos filhos do casal com os links apontando para o sitio do Familysearch

1) 
Luisa Günther
 (1882 - 1925)  oo 
Luís LUCAS 
Masculino1875–193
2) 
Conrad Günther
 (1886 - 1960) oo 
Hilda KRETZ
3) 
CARL GUENTHER
 (1888 - 1974) oo 
Augusta Mügge
 
4) 
Rosa Günther
 ou Roeschen Schoeninger (1890 - Falecido) oo 
Evaldo Schöninger
5) 
Louis Günther
 (1892 - 1973) oo Rosina ROTHSOLK
6) 
Emma Gunther
 (1894 - 1978) oo 
Heinrich HEMMER Junior
7) 
Minna Gunther
 (1894 - 1981) oo 
Hermann Eberhard KOCH
8) 
Alfredo Gunther
 (1900 - 1976) oo 
Hilda WEISS
9) 
Maria Günther
 (1904 - 1991) oo  
Johann LAFIN

Maria Günther
 (1904 - 1991)


2. Família Carls


A figura 4 mostra o Registro paroquial do falecimento de Louise com 75 anos de idade, 10 meses e 19 dias e por ele podemos supor que ela nasceu em 16/01/1838. 


Figura 4 - Registro paroquial página 1932, número 10, primeiro nome da página
Louise Günther grb. Carls



sábado, 20 de setembro de 2025

Hermann Laffin e Aninha Roehrigs

Registros sobre  Hermann e Aninha

Vou entrar em detalhes na listagem dos filhos e parentes do meu Bisavô (Hermann), nascido em Gross Dewsberg/Pomerânia, quanto a família de sua esposa Anna entrarei em detalhes em outra postagem. Os irmãos Hermann e Reinhard casaram com duas irmãs, Aninha e Elisa, filhas de Andreas e de Carolina Roehrigs.(1)

Soube no grupo do Facebook, que existe registro de batismo da Igreja Católica, de minha bisavó, Anna, com nascimento e batismo em Vargem Grande e o nome de batismo é Ignácia
Os dados conferem com os de Anna:  pais, avós  e data de nascimento.

1.1 Óbito de Aninha

O registro de óbito de Anna Lafin foi realizado em Brusque pela casa de saúde Azambuja em 1927, embora ela tenha falecido naquela casa de saúde em 1915..

O registro numero 26 mostra o atestado de óbito de Anna Lafin feito pelo padre da casa de saude de Azambuja, no ano de 1915 e a  data da transcrição e oficialização por meio do registro civil foi 12 anos após o falecimento, em 1927.

1.2 Casamento de Hermann e Aninha

Nos registros de batismos da Igreja Católica dos filhos de Andreas e Carolina temos várias falhad,  como no caso do  irmão de Anna, Albert, o pai é o Andreas e a mãe dele aparece como avó, enquanto a mãe, Carolina surge como avó. Houve uma troca de nomes. Outra falha no registro dos dados de batismo.

Nota: Suponho que os erros de registro são porque os padres não sabiam falar alemão e os meus bisavós, por outro lado não sabiam falar português.  Não tinham intérpretes
LAFFIN, Hermann Colono na Itoupava com 20 anos Nasceu em 28 de Janeiro de 1867 em Polzin / Pommern – Alemanha,  filho de August LAFFIN e Friederike geb. Viebranz Casou-se pelo pastor Sandrezcki em 26 de junho de 1887 na capela da Itoupava com Aninha Roehrigs
ROEHRIGS, Aninha Nascida a 1 de setembro de 1865 em Theresopolis S.C., filha de Andreas Roehrigs e Caroline geb. Blasberg. Casou-se pelo pastor Sandrezcki em 26 de junho de 1887 em capela em Itoupava, com Hermann LAFFIN. 

Nota: Observe-se que no registro, abaixo, da Igreja ambos, Hermann e Reinhard,  são chamados de Laffien. Erros comuns de transcrição de dados.



1.3 Filhos de Hermann e Aninha .


Árvore com pais e filhos de Hermann com Aninha (Family search)
link: pedigree no family search

Filhos de Hermann Laffin com Anna
LAFFIN, Wilhelm Carl August Nasceu em 21 de Dezembro de 1887 na Itoupava     Filho de Hermann LAFFIN – colono e Anna geb. Roehrigs Padrinhos: Wilhelm Denker, Wilhelm LAFFIN e Andreas Roehrigs

Este Registro consta do livro pioneiros. Os outros filhos constam do registro civil, bem como os casamentos. As fontes podem ser obtidas na arvore do site de genealogia. 

1.4 Obito de Hermann


Segue abaixo a imagem do livro de registro civil de óbito de Hermann Laffin.

Registro de óbito de Hermann Laffin aos 82 anos de idade em 26/09/1949. (record-image_S3HT-X9K7-KD do Family Search).
A foto do túmulo de Hermann Laffin poder ser vista no site  billiongraves, no cemitério da Itoupava Alta: https://pt_br.billiongraves.com/grave/Hermann-Laffin/27167442


Conforme consta no registro de óbito, ele era casado e deixou os seguintes filhos:
1)Wilhelm, 
2)Luise* (?), 
3)Reinoldo, 
4)Frida, 
5)Olga**, 
6)João*** e 
7)Maria (?) e 
Foi sepultado no cemitério de Itoupava Alta. 

Os registros civis dos filhos do casal estao anexo a árvore genealógica que criei no site family search. Caso, algum parente tenha informações adicionais diversas ou fotos, favor enviar que postarei dando os créditos e a fonte.

Nota:
*)Conheci como Tante Licien e casada com Onkel Lorenz Vogelbacher, moradora de Badenfurt.
**) Tante Olga casada com Wilhelm Muller, moradora de Badenfurt e
***) João era meu avô

Detalhes: Hermann Laffin

A esposa, Anna, havia falecido em 1915. Encontrei o registro de óbito dela.

Os nomes dos filhos estão aportuguesados, menos o do Wilhelm, O filho João é o meu avô paterno, registrado como Johann.




Fonte: PIONEIROS DA COLONIA BLUMENAU Famílias Evangélicas de confissão Lutherana da colônia Blumenau Período: 1856 – 1940. Prefeitura Municipal de Blumenau. Fundação Cultural de Blumenau. Arquivo Histórico Professor José Ferreira da Silva.

(2) Family search Record-image_S3HT-X9K7-KD 

terça-feira, 16 de setembro de 2025

Indios na Colônia Blumenau e Santa Catarina -= Catequese

A Região de Blumenau, em Santa Catarina, era habitada por povos indígenas antes da fundação da Colônia, como os Kaigangs e os Xoklengs, também conhecidos como botocudos (usavam botoques labiais e auriculares), majoritariamente nômades e que transitavam entre o Vale do Itajaí e o litoral catarinense.

Após o início da colonização européia em Blumenau, os conflitos entre indígenas e imigrantes europeus aumentaram ao passo que o território indígena era conquistado. Com frequência bugreiros eram contratados por imigrantes e empresas privadas na região – como Martinho Bugreiro e Ireno Pinheiro – para realizar sequestros e assassinatos de indígenas pois eram considerados “ameaça à civilização.

"Geralmente os bugreiros atacavam por tocaia, à noite, matavam todos os adultos, poupando algumas mulheres e crianças, que eram levadas para as cidades de Blumenau, Florianópolis e outras localidades, onde eram batizadas e adotadas por famílias burguesas ou por religiosos, como o Monsenhor Topp, que adotou um menino Xokleng e argumentava que as crianças deveriam ser poupadas para, depois de treinadas, ajudar na atração de seus parentes. Nesta época, o início do século XX, ganha força a idéia de se atrair os índios e não matá-los, apesar de nos municípios de Blumenau, Joinville, Lages, Orleães, entre outros, os índios continuarem a ser vistos como obstáculo para o progresso, e portanto a serem mortos por bugreiros.                                 " (fonte:  https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Xokleng)

 

Xokleng e colonos alemães Rio Plate, Blumenau 1929. Acervo: Museu Paranaense


Como pode ser lido no Ofício de 24/12/1862, o governo recomendava: 

"que não haja violência contra os indigenas" 

mas os Colonos desobedecendo contratavam assasinos profissionais ou seja os bugreiros.

Como pode ser lido abaixo não deve ser usada violência contra os índios mesmo que eles roubem dos colonos. O colono, como no exemplo, era indenizado pelas perdas provocadas pelos índios.  Mesmo com todas estas medidas, os colonos continuavam sendo os mandantes de assassinatos dos índios. 

Recordando: A lei do ventre livre só foi assinada em 1871, ou seja, nove anos antes das recomendações referentes aos índios. Havia um tratamento diferenciado.

Transcrição paleográfica:

"[fl.n.496] [354] 1862 Dezembro 24. Ofício de João Lins Vieira Cansansão de Sinimbú ao Presidente da Província de Santa Catarina, informando estar ciente dos fatos ocorridos na colônia Blumenau com o aparecimento de índios selvagens. Recomenda o emprego de todos os meios para assegurar a vida dos colonos e solicita que não haja violência contra os índios.
Rio de Janeiro. Doc.354, fl.n.496. N.° 89 Secção Directoria das Terras Publicas e Colonisação Rio de Janeiro Ministerio dos Negocios da Agricultura Commercio e Obras Publicas em 24 de Desembro de 1862.
Illustríssimo e Excelentíssimo Senhor.
    Tenho presente o officio de Vossa Excelência de 8 do corrente mez em que participa as  providencias que deu por occasião dos factos occorridos na Colonia Blumenau com o apparecimento de Indios selvagens;
    e approvando-as tanto na parte concernente á força necessaria a manutenção da segurança n’aquelle estabelecimento, como no tocante á auctorisação dada ao respectivo Director para fornecer ferramentas e utencilios agricolas ao Colono Christiano Holler ate a importancia de Reis 70$000 como indemnisação dos que lhe forão roubados por aquelles selvagens, recomendo-lhe o emprego de todos os meios accommodados a assegurar a vida e a propriedade dos moradores da Coloniasem, com tudo, servir-se de violencia contra os Indios senão na deficiencia de qualquer outro recurso, e aguardo a communicação de quaesquer eventualidades que ulteriormente se hajão realisado. 
Deus Guarde a Vossa Excelência.
João Lins Vieira Cansansão de Sinimbú.
Senhor Presidente da Provincia de Santa Catharina. R "

 

"[fl.n.134] [99] 1861 Agosto 28. Circular de Manoel Felizardo de Souza e Mello ao Presidente da Província de Santa Catarina, solicitando que se proceda averiguações a cerca de vários quisitos referentes a serviços de catequese e civilização de índios. Solicita brevidade nos resultados.
Rio de Janeiro. Doc.99, fl.n.134-135v.

Circular. Directoria das Terras Publicas e Colonisação. Secção. Rio de Janeiro. Ministerio dos Negocios da Agricultura, Commercio e Obras Publicas em 28 de Agosto de 1861.

        Illustríssimo e Excelentíssimo Senhor.

    Sendo urgente methodisar o serviço da Catechese e Civilisação dos Indios, por tal aneira que os esforços e o dinheiro que forem applicados a semelhante empenho deem o proveito desejado, convem que Vossa Excelência, quanto antes, proceda a averiguações acerca dos seguintes quesitos:

-1º quantos aldiaentos existem n’essa Provincia e em que data forão fundados;

 -2º de que tribus e de que numero de[sic] almas se compõe;

- 3º quaes as inclinações e os costumes e caracteristicas de cada uma dessas tribus;

- 4º de que desenvolvimento intellectual e moral são os Indios susceptiveis;

- 5º que meios são necessarios para conseguil-o;

-6º o que se ha feito para lhes ensinar as primeiras lettras e as artes fabris;

- 7º que causas tem até o presente obstado a essa obra civilisadora;

-8º que meios é mister empregar para removel-os;

-9º que relações mantem os aldeiamentos com as povoações circunvisinhas;

-10º que patrimonio foi annexado a cada aldeiamento;

-11º que cultura é applicavel ao seu torrão;

-12º quaes são as rendas das aldeias, quanto especialmente produz o arrendamento ou aforamento das [fl.n.134v] terras, como tem sido distribuidas essas rendas, e por quem;

- 13º se as terras do Patrimonio de cada aldeia temm sido conservadas ou usurpadas, e se arrendadas aforadas ou vendidas, e por que auctoridade;

-14º se tiverem sido usurpadas, emm que data, exacta ou provavel, se effectuarão essas invasões, e por qem;

-15º que providencias tem-se dado para reprimir os abusos comettidos contra os Indios;

-16º quantos Missionarios e Cathechistas existem n’essa Provincia em effectivo exercicio e como tem procedido;

-17º se ha ahi Clerigos, seculares ou regulares, em circunstancis de serem aproveitados no serviço da Catechese;

-18º quantas tribus ainda se achão no estado selvagem e em que districtos;

-19º que probabilidade ha de chamal-os á Civilisação;

- 20º o que consta acerca de cada uma em tempos anteriores e que eios se tem empregado para domestical-os; 

-21º que medidas são mais accommodadas a boa direcção das tribus aldeiadas e por aldeiar;

-22º se os Indios podem dispensar a tutella dos Directores, para se lhes distribuir lotes de terras, e se vender o res[sic][fl.n.135] der o restante;

-23º e que noticia ha dos Indios que abandonarão os aldeiamentos.

    Todos estes pontos e quaesquer outros connexos, que, por ventura, se suggerirem a Vossa Excelência, cumpre sejão esclarecidos e esplicados pela maneira mais minuciosa, especificada, e cabal para satisfação dos desejos do Governo Imperial em tão rave assumpto.

    E se não parecerem a Vossa Excelência sufficietes os trammites, pelos quaees ordinariammente se procede a informações é auctorisado a encarregar do trabalho de colhel-as a uma pessôa de reconhecidas habilitações e zelo provado, que estude as diversas questões até, se fôr preciso, nos proprios logares, a que se refirão, mediante uma gratificação rasoavel.

    O intuito do Governo Imperial é adquirir a maior somma possivel de luzes sobre a Catechese e Civilisação dos Indios: para conseguil-o ha mister que sejão postas em contribuição todas as pessôas aptas em auxilial-o com deligencia e acerto em suas beneficas intenções.

    Es[sic] [fl.n.135v] Espero, por tanto, que Vossa Excelência com a possivel brevidade me transmitta os resultados das indagações, que lhe recommendo, á proporção que os fôr obtendo, não convindo que os  demore para envial-os todos ao mesmo tempo.
    Deus Guarde a Vossa Excelência. 
Manoel Felizardo de Souza e Mello.
Senhor Presidente da Provincia de Santa Catharina"


(Fonte: Transcrição paleográfica [OFÍCIOS DO MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS DA AGRICULTURA, COMÉRCIO E OBRAS PÚBLICAS PARA O PRESIDENTE DA PROVÍNCIA DE SANTA CATARINA DE 1861 1862.])